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Irregularidades vão ser participadas ao Ministério Público

Eleições Interrompidas no Naval de Portimão

Eleições para os Órgãos Sociais decorriam na sede do Clube Naval de Portimão, quando foram interrompidas por suspeitas de irregularidades (®PauloMarcelino/arquivo)
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As eleições para os Órgãos Sociais do Clube Naval de Portimão foram interrompidas durante o ato eleitoral, este sábado, 26 de maio, devido a “suspeitas de graves irregularidades” relacionadas com procurações e situação legal de sócios que se apresentaram às urnas. A decisão foi tomada pelo presidente da Assembleia Geral do clube, José Casimiro, acrescentando que irá fazer uma participação ao Ministério Público. A urna com os votos já expressos foi entregue à guarda da Polícia Marítima.

O processo eleitoral para escolher os Órgãos Sociais do CNPortimão para o próximo triénio está a ser disputado por duas listas concorrentes: Lista A (liderada por Miguel Farinha, da atual direção, presidida por Tito Januário) e Lista B (presidida por João Rosa e com o multicampeão nacional de windsurf Miguel Martinho como candidato a vice-presidente).

O debate eleitoral no clube decorreu com elevado civismo, mas o ‘verniz começou a estalar’ na Assembleia Geral do clube realizada sexta-feira à noite. Nessa reunião foi aprovada uma moção de censura por alegada situação de abuso de posição dominante por parte dos órgãos sociais cessantes.

Os elementos da Lista B acusaram a atual Direção de “permitir que só a Lista A tivesse acesso aos contatos dos sócios” e de ter violado o Regulamento Geral Interno do clube pela forma como apresentou elementos contabilísticos na Assembleia Geral. A moção de censura aprovada refere também a “conduta dos membros que compõem a lista A por terem beneficiado de uma posição alta e gravemente discriminatória”.

O ato eleitoral começou horas depois, este sábado, 26 de maio, pelas 10:00. De acordo com comunicado emitido pelo Clube Naval de Portimão, a afluência às urnas foi grande desde o início. A votação deveria ter terminado pelas 18:00, mas foi interrompida, perto das 16:00, pelo presidente da mesa da Assembleia Geral. José Casimiro apresentou as suas razões num documento manuscrito, que foi entregue aos representantes de ambas as listas.

O presidente da mesa da Assembleia Geral alega ter detetado “suspeitas de graves irregularidades que põem em causa o bom nome do Clube Naval de Portimão”. José Casimiro enumera as irregularidades detetadas: votação de sócios sem situação financeira regularizada junto do clube; obtenção de procurações de forma suspeita e representação de sócios sem capacidade de votação, de acordo com o Regulamento Geral Interno do clube.

“Considerando a situação anormal que se vive na assembleia, a mesa suspende o ato eleitoral e faz participação ao Ministério Público, para averiguações“, concluiu José Casimiro, no documento entregue às duas listas.

O presidente da Assembleia Geral adianta que irá ser enviada uma circular aos sócios, para averiguar as circunstâncias em que decorreu o processo de recolha de procurações e que o ato eleitoral será “remarcado” após concluídas as averiguações internas.

Depois de suspenso o ato eleitoral, José Casimiro retirou a urna da sala de voto, colocou-a na sala da Direção e abandonou as instalações do clube. Mais tarde, o presidente da Direção, Tito Januário, convocou uma reunião com os sócios presentes, entre os quais elementos das duas listas concorrentes  e foi decidido colocar a urna, devidamente selada, à guarda da Polícia Marítima.

Tito Januário prometeu convocar uma reunião com José Casimiro, para analisar os fatos. Só depois dessa reunião será decidido se serão convocadas novas eleições, ou se será retomado o ato eleitoral interrompido, como pretende a Lista B.

Em comunicado no Facebook, a Lista B refere que “não se pronunciará sobre os tristes acontecimentos de hoje, agindo apenas junto das autoridades competentes”.

ATUALIZAÇÕES

José Casimiro terá renunciado ao cargo. Segundo fontes próximas do clube, o presidente da Mesa da Assembleia Geral terá apresentado demissão. A Direção ainda não terá recebido uma carta formal nesse sentido.

O (ainda) presidente do clube marcou uma reunião de Direção, para segunda-feira, 28 de maio, à noite. Tito Januário quer falar sobre a crise eleitoral e também com José Casimiro, o presidente da Assembleia Geral presumivelmente demissionário.

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