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Japoneses descobrem organismo que consome plástico

Nova Bactéria Pode Salvar os Oceanos

Cientistas calculam que em 2050 haverá mais plásticos que peixes (em peso) nos oceanos (®Britannica)
Cientistas calculam que em 2050 haverá mais plásticos que peixes (em peso) nos oceanos (®Britannica)
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Um grupo de cientistas no Japão identificou uma nova estirpe de bactérias capazes de consumir plástico, particularmente o polietileno usado na indústria têxtil e na produção das denominadas garrafas PET, que constituem um dos maiores problemas atuais de poluição dos oceanos. A descoberta foi anunciada no jornal ‘Science’, na passada sexta-feira, e pode ajudar a combater a poluição causada pelos plásticos no meio ambiente.

Em setembro do ano passado, cientistas tinham já descoberto que um determinado tipo de larva da farinha é capaz de consumir poliestireno, reciclando-o em dióxido de carbono e desperdício biodegradável. Esta foi, talvez, a mais importante descoberta científica para o meio ambiente na última década. A Ciência já sabia que outros insectos, como a barata, consumem plástico, mas não o reciclam.

A larva identificada em 2015 recicla poliestireno (o polímero usado, por exemplo, nas pranchas de surf) e outros tipos de plástico, mas não o polietileno usado nas garrafas PET. Essa é a grande novidade da bactéria agora identidade, capaz de reciclar os plásticos mais comuns. A Ideonella Sakaiensis usa duas enzimas para reciclar o plástico, transformando-o em fontes de carbono e energia.

A biodegradação ainda não é uma estratégia viável de reciclagem, mas o conhecimento desta nova bactéria e da larva identificada em setembro do ano passado constituem incentivos importantes para um eventual desenvolvimento científico nesse sentido. Essa estratégia científica não pode, obviamente, substituir os sistemas existentes de reciclagem de desperdício.

O problema é que, segundo um estudo recente elaborado pelo Fórum Económico Mundial, apenas 14% do plástico produzido entra no sistema de reciclagem. O restante fica à mercê do meio ambiente, onde o PET demora 400 anos a biodegradar-se. Esse é um dos grandes problemas dos oceanos. O mesmo estudo calcula que, se continuarmos como estamos, em 2050 haverá nos oceanos mais plásticos do que peixes, numa comparação por peso.

A poluição dos oceanos pelo plástico está de tal forma disseminada que já não é possível pensar em estratégias de limpeza, devido aos custos proibitivos. A abordagem atual passa pela discussão de novas formas de combater o despejo ilegal e até limitar a produção de certos plásticos.

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