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Défi Wind de Gruissan 2017

Carlos Clímaco Desafiou o Tramontana em França

Algarvio Carlos Clímaco realizou aos 59 anos de idade o sonho de participar no Défi Wind de Gruissant (®DR)
Algarvio Carlos Clímaco realizou aos 59 anos de idade o sonho de participar no Défi Wind de Gruissant (®DR)
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O algarvio Carlos Clímaco cumpriu o sonho de estar presente no Défi Wind de Gruissan, a maior concentração de windsurf no mundo, com mais de mil profissionais e amadores dispostos a desafiar o super-vento Tramontana, numa prova maratona em regatas com largadas conjuntas, em França. O mítico vento faltou à chamada, mas ‘deu um ar de sua graça’ num ensaio geral que o veterano atleta de Sagres dificilmente irá esquecer.

O algarvio sonhou durante muito tempo com o Défi Wind de Gruissant. Aos 59 anos de idade, o velejador conseguiu reunir condições para testar os limites do corpo numa praia francesa (ver notícia). A concretização do sonho foi possível graças aos apoios da Câmara Municipal de Vila do Bispo e de três estabelecimentos comerciais em Sagres, restaurante ‘Retiro do Pescador’, bar ‘Pau de Pita’ e restaurante ‘Armazém’.

O Défi Wind é uma prova de resistência, com regatas diárias de 20 quilómetros cada percorridos em paralelo à praia, entre Chalets (local principal) e Port La Nouvelle. O motor do desafio é o Tramontana, famoso vento de Norte que pode atingir os 70 nós de intensidade.

“Quando saí de casa ia desiludido”, confessou Carlos Clímaco. As previsões eram claras e categóricas: o Tramontana não iria estar presente no Défi Wind de Gruissant 2017, nos dias 25 a 28 de maio. Mesmo assim, Carlos Clímaco e três amigos fizeram-se à estrada.

O grupo esteve dois dias em Tarifa, para treinar com vento forte de Levante e seguiu depois para a Praia de Chalets, em França, a tempo de participar no tradicional ensaio geral que antecede a prova de resistência.

Na terça-feira 23 de maio, o Tramontana apareceu. “Apanhamos um dia completo de vento certinho e consegui fazer aquele treino. Encheu-me completamente”, disse o velejador algarvio. Carlos Clímaco participou nesse dia numa largada conjunta com mais de meio milhar de profissionais e amadores em pranchas à vela, para uma regata de 20 quilómetros.

“Nunca pensei participar numa largada daquelas. Há anos que andava a perseguir uma coisa assim. Quando terminamos, parei junto à praia a falar com um francês e emocionei-me. Fiquei a chorar”, confessou Carlos Clímaco.

Carlos Clímaco emocionou-se depois de terminar a regata de treino, num percurso de 20 quilómetros com largada conjunta de mais de 500 velejadores (®DR)

Carlos Clímaco emocionou-se depois de terminar a regata de treino, num percurso de 20 quilómetros com largada conjunta de mais de 500 velejadores (®DR)

A experiência foi intensa. O vento soprava certinho acima dos 40 nós e a largada foi uma confusão. “Quando comecei a ganhar velocidade houve um tipo que caiu à minha frente e eu também fui à água”. Clímaco recuperou rápido e procurou o rumo certo para a bóia de rondagem a 10 quilómetros de distância, pondo em prática as lições aprendidas em treinos com grupos menores durante a manhã.

“Comecei a fazer o trajeto correto e a papar adversários. Vi muita malta lá fora a não conseguir chegar à bóia. Eu fui lá direitinho. Rondei a bóia com cuidado porque estavam uns 40 ou 50 caídos na água. Safei-me por fora e saí a planar”.

No trajeto de regresso, Carlos Clímaco sofreu uma câimbra. Recuperou e acelerou para a chegada. “No bordo para a linha de chegada fui sempre com muito gás. Ia passando alguns e outros iam encostando à praia. Devo ter papado uns 250. Terminei com despiques no último quilómetro. Passei um tipo que também ia a fundo mesmo na linha de chegada. Eu ia nas horas, a voar completamente”, relatou o velejador algarvio, emocionado ao recordar-se da experiência.

Nessa terça-feira, com treinos de manhã e a regata de ensaio geral à tarde, Carlos Clímaco calcula que tenha feito mais de 100 quilómetros na água. “Na quarta-feira também andei e tive picanços a sério na água, até o vento cair. Senti-me muito bem fisicamente”, comentou o veterano algarvio.

Como se previa, o Tramontana não mais soprou e a história do Défi Wind de Gruissant 2017 foi o ensaio geral de terça-feira. “Eu queria ter feito no mínimo quatro largadas e ver a classificação para perceber o que valho. Mas fiquei minimamente a saber e a sentir o que é estar lá. O ambiente do evento é incrível e as pessoas são super cordiais. Quero lá ir em 2018“, concluiu o velejador de Sagres. “Ainda por cima passo para o escalão seguinte dos mais de 59 anos e aí é para arrasar”, acrescentou.

Carlos Clímaco é atleta de Slalom Windsurfing e foi 5º no ‘ranking’ nacional da especialidade em 2016. “O meu foco agora é o Campeonato Nacional de Slalom, que vai começar em Sagres, nos dias 17 e 18 de junho”, diz o atleta. O algarvio não pára e também tem nos planos ir ao campeonato nacional espanhol, em setembro. O Tramontana que se cuide, porque Carlos Clímaco quer mais.

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