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Algarvio é o primeiro português a subir ao pódio

Carlos Clímaco Faz História no Défi Wind

Algarvio Carlos Clímaco no 2º lugar do Pódio +60; o primeiro português a subir a um pódio no Défi Wind (®JeanSouville)

Carlos Clímaco (Clube Naval de Portimão) terminou o Défi Wind 2018 em 2º lugar no escalão +60 e 189º na classificação geral. O velejador algarvio foi o primeiro português a subir a um pódio na maior e mais dura prova de windsurf no mundo, disputada em França, em regatas com 40 quilómetros de percurso e mais de mil velas na água ‘sopradas’ pelo poderoso Tramontana. “Dedico este pódio a toda a gente que me apoia. Ninguém ganha nada sozinho”, disse o atleta de Sagres, ao Swell-Algarve.

O Défi Wind é uma prova de resistência, com a particularidade de as largadas serem conjuntas, este ano com cerca de 1200 concorrentes na água. Além de descobrir caminhos entre a floresta de velas, os participantes têm de aguentar o famoso Vento Tramontana, que chega aos 70 ‘knots’ de intensidade e sopra habitualmente pelos 40 a 50 ‘knows’.

As regatas são disputadas em percurso paralelo à longa margem de areia que se estende por 10 quilómetros entre Plage dês Chalets e Port La Nouvelle. Cada regata consiste em duas idas e regressos, num total de 40 quilómetros.

Largada com 1200 velas na água, quinta-feira, 10 de maio (®JeanMarcCornu)

A prova existe há mais de dez anos e tem vindo a crescer em número e nível de participantes. Há registo de resultados absolutos portugueses dentro dos 100 primeiros em edições anteriores, com menos participantes que a deste ano; mas nunca um português tinha subido a um pódio no Défi Wind. O algarvio Carlo Clímaco foi o primeiro a consegui-lo e deixou a sua marca e uma fasquia elevada numa prova que está cada vez mais forte.

Em 2019, o Défi Wind vai deixar de ser apenas o evento em Gruissan, França, e passa a ser Défi Wind World Series, também com etapas em Mikayo, Japão (28 fevereiro a 3 de março) e Bonaire, Caraíbas (16 a 20 de junho).

Este ano, em Gruissan, estiveram em prova cerca de 1200 velejadores, em representação de quatro dezenas de nações dos cinco continentes, nos dias 10 a 13 de maio. Estiveram presentes 7, ou 8 portugueses. Nos últimos dois anos não houve Tramontana, mas este ano o vento pelo qual todos esperam apareceu em dois dos quatro dias de prova e permitiu a realização de três regatas completas: uma (1) quinta-feira, 10 de maio; e duas (2) domingo, 13 de maio.

Tapete de velas na praia, com a POR 181 do algarvio Carlos Clímaco em primeiro plano (®DR)

Domingo, 13 de maio, foi tentada uma terceira regata, cancelada a meio por falta de vento. Nesse dia houve velejadores a cumprir 100 quilómetros cronometrados, recorde para a maior distância em prova cumprida num dia no Déli Wind (ver video). Foi um dia de invernia, com chuva e muito frio na primeira largada, pelas 09:30; com o Tramontana a debitar mais de 40 ‘knots’ e o conjunto das condições a testar os limites da resistência física e psicológica dos velejadores.

“Nunca estive numa situação tão violenta”

Carlos Clímaco, 60 anos, já tinha sofrido na regata solitária do primeiro dia, quinta-feira, porque entrou com a vela errada, um painel de 5,6 m2, demasiado grande para o vento médio de 40 a 50 ‘knots’ que se fez sentir. “Em 40 anos que tenho de windsurf nunca estive numa situação tão violenta”, confessou o algarvio.

Gerir as linhas de navegação entre mais de mil velas a grande velocidade na água, rondar as bóias enquadrado em grupos grandes e por vezes com velas caídas na água e aguentar uma vela demasiado grande para o vento que estava, sem ir muito à popa para não sacrificar o gémeo da perna de trás; foram desafios intensos para os primeiros 40 quilómetros feitos por Carlos Clímaco no Défi Wind.

“Foi brutal. Houve lá momentos de terror e fui apanhado várias vezes em situações nas bóias”, recordou o velejador algarvio. Carlos Clímaco tinha estado presente na edição do ano passado do Défi Wind, mas não houve regatas oficiais por falta de vento (ver notícia). Este ano, dia 10 de maio foi a estreia do algarvio em competição em Gruissan. Foi duro. Houve cerca de 400 desistências. E foi ainda mais duro domingo dia 13.

Sexta-feira e sábado, dias 11 e 12 de maio, não houve regatas em Gruissan. Tempo para conviver e fotografar (®DR)

Choveu durante a noite toda de sábado para domingo e amanheceu muito frio e ainda com chuva em Gruissan. A largada foi dada às 09.30. Carlos Clímaco largou bem. “Aquilo faz uma grande mareta nalgumas zonas e temos de ir com cuidado. Ia tão bem que me distrai. Fiz uma catapulta violenta e fiquei um bocadinho mal do pescoço”, revelou o algarvio.

Além da queda violenta, Carlos Clímaco sentiu nessa primeira regata de domingo os efeitos adversos do frio no organismo. Num dos bordos junto à areia, o velejador ficou com a cara dormente e quase deixou de conseguir abrir um olho; e fez os últimos 10 quilómetros em sofrimento muscular. “Fiquei com uma batata no músculo do braço da frente. Quase não conseguia agarrar a retranca”, disse o velejador de Sagres.

Em pouco mais de uma hora, a frota fez nova largada. Carlos Clímaco conseguiu aquecer durante a pausa e completou essa segunda regata de domingo sem problemas de maior, apesar de não ter feito uma boa largada. A organização apostou numa terceira regata e essa foi a melhor largada de Carlos na prova, mas a regata foi cancelada quando o algarvio estava perto da primeira rondagem, por falta de vento.

“Fui apanhado de surpresa”

Carlos Clímaco tinha três objetivos para a prova: não se magoar, concluir todas as regatas e terminar “na zona dos 400” na geral. Completou os dois primeiros objetivos com sucesso e superou as expectativas do terceiro objetivo, ao terminar em 189º geral, fruto de uma regularidade impressionante nas três regatas. A subida ao pódio no seu escalão etário (+60) foi uma surpresa.

O escalão +60 integrou um total de 32 velejadores. Carlos Clímaco terminou o primeiro dia em 5º, pensando ao sair da água que estaria em 8º, ou mesmo 10º. Depois da maratona de domingo, o algarvio pensava que mantinha o 5º lugar e foi apanhado de surpresa quando ouviu o seu nome ser chamado para o 2º lugar do pódio no escalão. “Fiquei completamente louco. Não estava à espera”.

Carlos Clímaco, à direita, e o vencedor do escalão +60 cumprimentam-se (®JeanSouville)

O sucesso é resultado de dois anos de treino e de uma preparação física invejável, para a qual muito contribui o trabalho de mariscador. “O meu ginásio são as rochas”, costuma dizer Carlos Clímaco. Aliada à preparação física, o velejador conseguiu elevados níveis de concentração em todas as regatas, evitando maus resultados.

Carlos Clímaco conquistou um lugar na História do Défi Wind, mas pensa não ficar por aqui. “Quando estava a levar tareia no primeiro dia, pensava que já não tenho idade para estas coisas, que é loucura a mais. Agora, quero voltar lá outra vez, para tentar fazer melhor”, revelou o atleta, ao Swell-Algarve.

Equipamento do velejador algarvio (®DR)

Daqui a três semanas, o velejador algarvio vai estar em Viana do Castelo, na primeira etapa do Campeonato Nacional de Slalom Windsurfing e vai depois participar, como convidado (wildcard), na prova do circuito PWA, onde está a elite do windsurf mundial. Uma nova experiência para o atleta de Sagres.

Carlos Clímaco tem os apoios Clube Naval de Portimão, Município de Vila do Bispo, RRD Portugal, Dickson, Surf Planet Sagres, Sport Link Tarifa, Restaurante Carlos, Restaurante Ribeira do Poço, Bar Pau de Pita e Restaurante Armazém.

Atualização / Retificação:

No dia 23 de maio, o leitor Filipe Guerra informou que o atleta ‘Zé Pedro Monteiro’ fez 1º lugar Grandmaster, 47º geral no Défi Wind em 2011. Foi, portanto, pódio português antes de Carlos Clímaco. O Swell-Algarve vasculhou os resultados do Défi Wind disponíveis online – apenas até 2013, inclusive – e não tinha encontrado um outro pódio português. Algumas fontes contactadas também não tinham memória de tal fato. Pelo lapso na conclusão da pesquisa por nós feita, pedimos desculpa aos leitores e ao atleta ‘Zé Pedro Monteiro’.

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