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Motonáutica | Previsões boas para domingo

Fórmula 1 à Espera de Vento Favorável em Portimão

Mecânicos da Mad Croc Baba Racing trabalham no monologar de Sami Selio, 'pode position' na edição de 2016 (®PauloMarcelino)
Mecânicos da Mad Croc Baba Racing trabalham no monologar de Sami Selio, 'pode position' na edição de 2016 (®PauloMarcelino)
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O Campeonato do Mundo de F1 de Motonáutica 2017 vai começar este fim-de-semana, em Portimão, mas o vento forte de Sueste obrigou o comissário desportivo a ajustar o programa do evento. Esta sexta-feira nenhum barco foi para a água e sábado também será “muito difícil”, admitiu Luís Ribeiro, o comissário do circuito desde 2010. As previsões são favoráveis para domingo, esperando-se um dia intenso de ação no estuário do Arade, com treinos livres e cronometrados de manhã, Grande Prémio de F1 às 13h00 e só depois a corrida de F4, a segunda divisão da motonáutica de alta velocidade.

“Segurança, para nós, é a prioridade”, comentou Nicolo di san Germano, ‘pai’ da F1 Motonáutica e presidente da H20 Racing, entidade promotora do circuito mundial. Rajadas de 45 a 50 nós medidas esta manhã na frente ribeirinha de Portimão levaram ao cancelamento dos treinos e cronometrados de F1 e da primeira corrida F4 prevista para o período da tarde.

Filip Roms, da Mad Croc Baba Racing, espera, como todos os pilotos, por tréguas do vento (®PauloMarcelino)

Filip Roms, da Mad Croc Baba Racing, espera, como todos os pilotos, por tréguas do vento (®PauloMarcelino)

Dentro de tendas bem fechadas por causa do vento, pilotos e mecânicos das nove equipas presentes procedem às últimas afinações e gerem a ansiedade por não poderem fazer testes na água. Portimão é o primeiro Grande Prémio da nova temporada e o vento está a roubar tempo aos ensaios de novas soluções técnicas. “Isso aumenta a pressão sobre pilotos e mecânicos”, disse Ahmed Al Hameli, piloto número um da Victory Team.

Ahmed Al Hameli e Shaun Torrente, da Victory Team, falam aos jornalistas (®PauloMarcelino)

Ahmed Al Hameli e Shaun Torrente, da Victory Team, falam aos jornalistas (®PauloMarcelino)

O finlandês Sami Selio, piloto principal da Mad Croc Baba Racing, ‘corre’ em Portimão desde o primeiro Grande Prémio, em 1999, e sublinha: “É a primeira vez que temos esta tempestade”. Nestas condições, admite: “A equipa precisa de trabalhar mais”. Sami conquistou a ‘pole position’ o ano passado e terminou a corrida em 2º. Nunca ganhou em Portugal, mas foi em Portimão que conseguiu a primeira ‘pole position’ da sua carreira, em 2006.

Philippe Chiappe, campeão do mundo e vencedor do grande prémio em Portimão o ano passado (®PauloMarcelino)

Philippe Chiappe, campeão do mundo e vencedor do grande prémio em Portimão o ano passado (®PauloMarcelino)

O francês Philippe Chiappe, tricampeão do mundo e piloto da CTCI F1 Shenzhen China Team, venceu o Grande Prémio de Portugal o ano passado. O campeão do mundo em título diz que Portimão é o seu grande prémio favorito no circuito mundial. Duarte Benavente (F1 Atlantic Team), único piloto português no circuito, é um veterano na modalidade e sublinha as vantagens de Portimão: “É uma pista muito rápida e tem o melhor ‘paddock’ do circuito”.

Afinações num dos monologares dentro da tenda Abu Dhabi Team (®PauloMarcelino)

Afinações num dos monologares dentro da tenda Abu Dhabi Team (®PauloMarcelino)

O Grande Prémio de Portugal vai ter dezanove (19) catamarãs F1 em corrida. São máquinas infernais, com motores Mercury fora de borda, de 2500 cc, a 2 tempos e com seis cilindros. São capazes de chegar aos 430 a 440 cavalos e propulsionar a embarcação a mais de 200 km/h (mais de 108 nós) em voo rasante sobre a água. A resistência do visor no ‘cockpit’ é sujeita a testes que também são feitos em aviões a jato. As forças de gravidade a que os pilotos ficam sujeitos são enormes.

Monolugares da F1 Atlantic Team, do português Duarte Benavente, foram hoje inspecionados (®PauloMarcelino)

Monolugares da F1 Atlantic Team, do português Duarte Benavente, foram hoje inspecionados (®PauloMarcelino)

“Fisicamente é muito duro”, admite a norueguesa Marit Stromoy (Emirates Racing Team), única mulher no ‘circo’. É preciso estar preparado e ter muita atitude para travar batalhas a alta velocidade sobre a água com máquinas que têm andamentos muito semelhantes. “O nível é muito elevado”, diz a veterana Marit, protagonista de um espetacular acidente com o norte-americano Shaun Torrente (Victory Team) em Portimão, em 2011.

Acidente com Marit Stromoy e Shaun Torrente em Portimão, em 2011

Alex Carella, campeão do mundo em 2011, 2012 e 2013, está ansioso por acelerar no Arade e vai “tentar ganhar” a corrida no domingo. O italiano pertence à poderosa equipa Team Abu Dhabi, onde se vai estrear o campeão do mundo F4 como competidor oficial F1, Rashed Al Qemzi, e que é gerida pelo lendário Guido Cappellini, dez vezes campeão do mundo, agora retirado das corrida. “É o meu professor”, admite Alex Carella, referindo-se a Cappellini, que protagonizou em Portimão um momento único na F1 Motonáutica, um 360º com amaragem sem danos, em 2006.

Em 2006, Guido Cappellini fez um flip histórico em Portimão

Pilotos e máquinas estão preparados. Falta o vento baixar de identidade. As previsões começam a melhorar a partir do meio da tarde de sábado e, com sorte, talvez possam ser feitas algumas voltas de treino já amanhã. Domingo prevê-se menos vento e a ação vai ser concentrada nesse dia.

O Grande Prémio de Portugal de F1 Motonáutica vai ser transmitido ao vivo por uma dezena de canais de televisão. Em 2016, a emissão ao vivo chegou a 37 países e o evento teve espaço televisivo num total de 70 países. “Não quero perder este grande prémio”, disse Isilda Gomes, presidente da Câmara de Portimão.

Isilda Gomes com o piloto português Duarte Benavente e o representante da marca InterPass, Francisco Neto (®PauloMarcelino)

Isilda Gomes com o piloto português Duarte Benavente e o representante da marca InterPass, Francisco Neto (®PauloMarcelino)

A realização do evento em Portimão tem este ano um custo de 490 mil euros. O Turismo de Portugal participa com 340 mil euros. A Câmara Municipal de Portimão, através da Associação de Turismo de Portimão, assegura os restantes 150 mil euros.

“Até 150 mil euros, a Câmara investirá anualmente neste evento. Para o ano não estou a contar com o mesmo apoio do Turismo de Portugal. Por isso, a partir de segunda-feira, vamos começar a trabalhar na próxima edição, vamos procurar patrocínios para manter esta prova”, promete Isilda Gomes. “O retorno é muito superior ao investimento”, justifica a autarca, referindo-se ao tempo de antena televisivo que vai levar Portimão ao mundo durante o Grande Prémio.

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